domingo, 15 de outubro de 2017

Dona Rute e Dona Odete, minhas professoras inesquecíveis! Feliz dia do Professor

Dona Odete me ensinou a ler e escrever, e fazer as primeiras contas. Foi minha professora do primeiro ano no Colégio Universitário em Londrina. No segundo ano, continuei aprendendo com a Dona Rute. Ambas mulheres incríveis e professoras magníficas. Dona Odete na sua juventude pegava a charrete para ir ensinar aos índios. Quando me deu aula já tinha mais idade, guardo-a no  coração. Dona Rute era dona de uma paciência incrível, e uma didática maravilhosa, certa vez pediu para que chegasse mais cedo para me ensinar matemática, na época não conseguia fazer contas de subtração. Também me lembro da Dona Suely, professora do Pré II, mas sem tanto carinho pois ela me puxou a orelha chamando-me de burro (Rsssss puxar a orelha vá lá, mas não precisava dizer que era por burrice). Guardo-a com o respeito de quem dedicou sua vida a educar.

Também me lembro de meu professor de história, Geraldo, que dava aulas inspiradoras. Do Gilleno de matemática, e do Vivaldo (também de matemática), do SS (física), da Graça (gramática) e Denise (literatura), Deus como sofri para aprender português!!! Duas mulheres importantes e super competentes me ensinaram com paciência. Da Leo de inglês (outra matéria que sofri horrores para aprender). Rssss lembro que quando me formei no inglês uma professora virou pra mim e disse: "Nunca imaginei que você conseguiria" Rsssss eu consegui! E foi graças a professoras maravilhosas que me ajudaram muito no caminho!

Lembro do Hugo Yabe e do professor Piraju nas aulas de natação. Hugo foi um dos professores mais brilhantes que tive na vida, suas lições sobre a vida me marcam até hoje.

Na universidade lembro do professor Rogério, do professor Miguel e nossas discussões. Do professor João Faria (Jocka) que mudou minha carreira para sempre e que foi fundamental para meu crescimento profissional, sem sombra de dúvidas o professor mais importante dessa fase de minha vida. Lembro até hoje das aulas do Hermes e tantas outras histórias.

No mestrado/doutorado posso citar o professor Joaquim Andrade (meu orientador no mestrado), e o professor Joanílio Teixeira (orientador no doutorado), e claro o professor Francisco Carneiro que me ensinou a importância da publicação acadêmica e que me deu uma importante oportunidade profissional ao me contratar como professor da Universidade Católica de Brasília. Destaco ainda o professor Geraldo da estatística com quem aprendi muito.

E assim se passaram 45 anos, minha vida retratada por alguns de meus professores. Obrigado por tudo, obrigado por todo carinho, paciência, amor, dedicação, e vontade de superação. E Dona Suely, obrigado pelo  puxão de orelha, não me fez mal e hoje é uma lembrança querida.

Obrigado a todos os meus professores, obrigado a todos os professores, obrigado por tudo. Professor é para a vida toda!


domingo, 8 de outubro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017

Uma Homenagem Simples a professora Heley de Abreu Silva Batista

Querida Professora Heley,

Obrigado por seu sacrifício, obrigado por seu exemplo, obrigado por sua dedicação. Não existem palavras para descrever a gratidão que tenho por seu gesto, por sua coragem, por sua honra, por sua valentia e determinação frente ao perigo.

A senhora sacrificou sua vida no altar de gigantes, Deus queira que quando minha hora chegar eu demonstre sua bravura e coragem. Não sei mais o que dizer, mas saiba que estará em minhas preces de amanhã na missa.

Um indivíduo sempre pode fazer a diferença, e com o sacrifício de sua vida a senhora nos lembrou uma vez mais disso.

Descanse em paz.

sábado, 30 de setembro de 2017

Liberdade de Expressão, Autonomia dos Pais para Criar Seus Filhos, e Propriedade Privada: Perguntas e Dúvidas Honestas

Existe um limite para a liberdade de expressão? Existe um limite para a autonomia de um pai decidir como criar seu filho? Existem limites para a propriedade privada?

Nos Estados Unidos, terra da liberdade, a liberdade de expressão é um pilar básico. Lá você tem o direito de protestar no enterro de pessoas que você sequer conhece. Isso efetivamente ocorre. Grupos se reúnem com cartazes para dizer que determinado soldado morreu pois a América está pecando. Consegue imaginar isso? Enquanto a família chora seu ente querido um monte de pessoas segura cartazes dizendo que ele morreu por culpa de seus pecados. Detalhe, a Suprema Corte decretou que, em acordo com a liberdade de expressão, tais grupos tem direito a esse protesto.

Existe um limite para a autonomia de um pai decidir como criar seu filho? Pais costumam amar seus filhos, será que o Estado tem direito a interferir nessa relação? Será que o Estado tem o direito de obrigar os pais a matricularem seus filhos em escolas, e negar-lhes o direito do ensino domiciliar (homeschooling)? E quando uma mãe decide levar sua filha de 5 anos de idade para uma exposição de arte com pessoas nuas e estimulá-la a tocá-los? E quando um pai decide que, em defesa de sua crença, seu filho não receberá determinado tratamento médico? E um pai que decide deliberadamente matar seu filho, tem esse direito?

Imagine uma prefeitura que pretende construir um novo terminal de ônibus para melhorar o transporte público, será que ela tem o direito de desapropriar propriedades privadas para realizar seu projeto? E quando o dono de uma obra de arte importante decide destruí-la, ele tem esse direito? E quando o dono de um estoque de vacinas decide destruí-las, apenas para ver seus vizinhos morrerem, ele tem esse direito? E o que dizer de alguém que aumenta o preço da gasolina e da água potável logo após furacões, ele tem esse direito?

Peço que reflitam sobre as perguntas acima, verá que seguir princípios (quaisquer sejam eles) apresenta um custo razoável (e as vezes desnecessário) em realidades concretas. Claro que princípios são importantes como uma regra geral, claro que as vezes devemos pagar o preço de nossos princípios,  mesmo que o pagamento seja em sangue. Contudo, é fundamental entender que nossa sociedade é baseada em princípios E magnitudes. Princípios não são absolutos em nossa sociedade, é exatamente por isso que diferenciamos transgressões à regra com base também em sua magnitude. Um ladrão de balas e um ladrão de bancos infringiram o mesmo princípio, mas por óbvio merecem punições distintas. Ao contrário do que alguns argumentam, ser corrupto e desviar 100 milhões de obras públicas NÃO É o mesmo que ser corrupto e furar uma fila de cinema.

Em resumo, se você é daqueles que seguem princípios até o extremo de suas implicações talvez valha a pena refletir um pouco. De maneira alguma digo quem está certo e quem está errado, eu não sei a resposta. Mas o conservadorismo é um guia importante para essas respostas. Ao não se alinhar a princípios absolutos o conservador media cada situação de acordo com suas peculiaridades, creio que isso é uma vantagem (mas claro que posso estar errado).

Vamos agora as minhas respostas (e lembre-se de que não sou o dono da verdade, lembre-se também que como conservador tenho minhas idiossincrasias, mas que as vezes elas estão corretas).

1) Existe um limite para a liberdade de expressão?
Resposta) Sim, devemos ter muito cuidado em termos tolerância com os intolerantes. Devemos ter muito cuidado com quem tenta usar nossos princípios para nos destruir. Regras de tolerância são importantes, mas elas não podem ser usadas para permitir o crescimento  de grupos que pretendem destruir nossa sociedade e modo de vida. Claro que minha resposta levanta riscos, afinal quem irá decidir quem pode e quem não pode ser tolerado? Quem irá decidir o que representa e o que não representa riscos a sociedade? Por exemplo, governos totalitários decidem que a imprensa livre é um risco a sociedade. Sim, não há resposta fácil e isenta de riscos aqui. Exatamente por isso Ronald Reagan afirmava que a liberdade nunca estará segura por mais de uma geração. Cada geração precisa defendê-la.

2) Existe um limite para a autonomia de um pai decidir como criar seu filho? Sim.
2.1) Pais costumam amar seus filhos, será que o Estado tem direito a interferir nessa relação? Sim.
2.2) Será que o Estado tem o direito de obrigar os pais a matricularem seus filhos em escolas, e negar-lhes o direito do ensino domiciliar (homeschooling)? Não.
2.3) E quando uma mãe decide levar sua filha de 5 anos de idade para uma exposição de arte com pessoas nuas e estimulá-la a tocá-los? Sim, ela tem esse direito.
2.4) E quando um pai decide que, em defesa de sua crença, seu filho não receberá determinado tratamento médico? Sim, ele tem esse direito.
2.5) E um pai que decide deliberadamente matar seu filho, tem esse direito? Não.

3) Existem limites para a propriedade privada? Sim.
3.1) Imagine uma prefeitura que pretende construir um novo terminal de ônibus para melhorar o transporte público, será que ela tem o direito de desapropriar propriedades privadas para realizar seu projeto? Sim
3.2) E quando o dono de uma obra de arte importante decide destruí-la, ele tem esse direito? Não
3.3) E quando o dono de um estoque de vacinas decide destruí-las, apenas para ver seus vizinhos morrerem, ele tem esse direito? Não
3.4) E o que dizer de alguém que aumenta o preço da gasolina e da água potável logo após furacões, ele tem esse direito? Sim.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Escândalo: Estadao MENTE escandalosamente sobre Criança tocando homem nu no MAM. VEXAME!


Um verdadeiro vexame a reportagem no Estadão sobre uma criança tocando um homem nu numa exposição de arte. Se você tem estômago aqui está o link para a filmagem.

Agora vejam o que diz a matéria do Estadão:
"A criança parece mostrar curiosidade enquanto engatinha pelo tatame, vendo uma mulher adulta tocar os pés do artista. A mulher a incentiva a participar, a menina ri, toca rapidamente os dedos dos pés dele, e volta à plateia diante de sorrisos do público".

1) só o Estadão que viu a menina rindo, eu vi uma criança querendo sair dali.

2) O reporter se esqueceu de dizer que: a) a criança tocou primeiro a mão do homem, e depois tentou ir embora. Foi então que a mulher chamou a criança de volta para tocar os pés do homem nu. É nítido o constrangimento da criança.

3) O público que sorriu disso é doente. Uma pessoa normal teria tirado a criança dali.

4) Digno de nota é o título da matéria que está presente em vários jornais.... "Interação de criança com artista nu em museu de São Paulo gera polêmica."

5) Quando um jornal faz ginástica na sua manchete, e mente em seu texto, é porque está querendo tornar uma mentira mais palatável. É isso que a matéria do Estadão faz.

Arte hoje se reduziu a isso: a vontade de chocar. Infelizmente os "artistas" modernos esqueceram que a arte é transcendência, reflexão, beleza. Sou contra a censura, se malucos querem cagar e chamar aquilo de arte não tenho problemas com isso (aliás, já fizeram isso). Contudo, é fundamental que tais manifestações artísticas que pretendem chocar sejam feitas 1) para uma plateia de pessoas capazes (isto é, não pode ser permitido fazer determinadas performances para crianças); 2) pagas com dinheiro privado (e não com desonerações dos cofres públicos); e 3) em espaços fechados.

Por fim uma pergunta: qual dessas performances será imortalizada? Qual delas será lembrada em 100 anos? No fundo, nenhuma dessas performances foi feita para a imortalidade, seguem apenas uma pauta política.

domingo, 24 de setembro de 2017

Histórias Reais do Crime para você contar a seu amigo isentão esquerdista

Esse post conta algumas histórias reais que eu conheço sobre como a criminalidade destruiu a vida de várias pessoas e criou inconvenientes grandes na vida de outros. Esse é um relato para você contar a seu amigo isentão esquerdista que adora falar que prender não resolve, que a culpa é do sistema, e que o bandido é a vítima.

ATENÇÃO: Quem gosta de criminoso é marginal, rico, ou intelectual, pobre odeia bandido! Botem isso na cabeça: quando um rico é assaltado, ou mesmo assassinado, isso é horroroso, é terrível, uma tragédia. Contudo, por ser rico ele, ou sua família, podem seguir em frente. Quando um pobre é assaltado, ou mesmo assassinado, isso pode representar não apenas o fim de sua vida, mas o fim da vida de toda sua família. O custo do crime é pesado para toda sociedade, mas é muito mais pesado para os mais pobres.

1) O dia que encontrei uma mulher chorando no ponto de ônibus. Era faxineira, os ladrões tinham roubado tudo dela: seu telefone, seu passe de ônibus, seu dinheiro, e até mesmo sua marmita. Ela não teria dinheiro para ir trabalhar, e sem trabalhar não teria como voltar pra casa com dinheiro. Era mãe solteira, contava com o dinheiro para comprar comida pra casa.

2) O dia que encontrei um eletricista carregando seu equipamento a pé. Perguntei o que ocorreu: os ladrões levaram seu carro. Como ele usava o carro pra trabalhar agora ele tinha que carregar no braço todo equipamento, o que por óbvio limitava muito os serviços que podia atender. Sua renda tinha despencado, e sem carro sua renda continuaria baixa por muito tempo.

3) O dia em que fui no enterro de meu amigo Silvinho de apenas 10 anos de idade. Um assassino havia matado ele e sua mãe, seu pai estava internado em estado grave no hospital (ele sobreviveria a essa tragédia). Silvinho tinha dois irmãos menores que cresceram sem seu irmão mais velho e sem sua mãe.

4) O dia em que roubaram o botijão de gás de minha faxineira. Ela estava desesperada, sem botijão não teria como preparar comida para sua família.

5) O dia que roubaram e estupraram uma amiga  minha. Desnecessário comentários adicionais.

Tais como essas, milhares de famílias brasileiras sofrem na mão da criminalidade. Ricos e pobres, negros e brancos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, somos todos vítimas de uma das sociedades mais violentas do mundo.

Quando um intelectual repetir que prender não resolve, então sugira a ele levar os bandidos para casa. É muito fácil para um intelectual da zona sul carioca, tomando seu vinho de frente para praia, dizer que o Brasil prende muito, e que deveríamos punir menos com penas de prisão. Para ele é fácil dizer isso, pois o bandido solto não mora em Ipanema. Não é para Ipanema que esse criminoso irá retornar. Não é seu carro blindado que corre risco, não é seu apartamento com segurança 24 horas por dia que estará na mira do bandido. Já o pobre que anda de ônibus, que tem que chegar em casa sozinho a noite, é esse que será a principal vítima do bandido.

sábado, 23 de setembro de 2017

Hoje na Esquerda: PT renova apoio a ditadura na Venezuela, PSOL faz apologia a grupo terrorista, e PCB defende a Coreia do Norte.


Esse post só tem um objetivo. Te informar dos destaques de hoje, 23/09/2017, nos sites de três partidos de esquerda.

1) Aqui o PT declara,  uma vez mais, seu apoio a ditadura venezuelana (lembre-se de que estamos em 23/09/2017!!!)

2) Aqui o PSOL dá as boas vindas as FARC, um movimento terrorista que atuou na Colômbia sequestrando pessoas, vou repetir: sequestrando pessoas!!!! (lembre-se de que estamos em 23/09/2017!!!)

3) Aqui o PCB declara, uma vez mais, seu apoio a Coreia do Norte (lembre-se de que estamos em 23/09/2017!!!)

O que passa na cabeça desse pessoal? Por que tanto amor as ditaduras? Por que tanto amor a um grupo que sequestrava pessoas, assassinava adversários, e traficava drogas?

OBS 1: até agora nenhuma manifestação de Freixo, nem em seu site e nem no facebook, sobre a violência no Rio de Janeiro. Talvez tenha ido ao supermercado comprar material para soltar bolhas de sabão. Ou talvez esteja esperando um novo frame para foto de protesto em facebook. Ainda acho que ele vai dar um jeito de criminalizar a polícia, mas isso é especulação minha.

OBS 2: Molon se manifestou em seu facebook sobre a violência no Rio de Janeiro. Solução: bom, ele fala fala fala e adivinhem.... nenhuma solução para resolver o problema atual. Ele apenas repete que educação é bom (como se alguém discordasse disso). De maneira estranha não vi ele dando entrevistas hoje para o Jornal Nacional.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Onde está Freixo? Cadê as ONG's da Paz? Será que bolinhas de sabão combatem o crime? E cantar imagine?


Quem gosta de criminoso é marginal, rico, ou intelectual, pobre odeia bandido!

O Rio de Janeiro está um caos, está claro que o Estado não tem como manter a ordem em partes importantes da cidade. Como chegamos nessa situação?

1) Ideias malucas de esquerda, tais como criminalizar o policial e vitimizar o bandido, são certamente o principal determinante do caos atual de violência pública vivido no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Hoje o policial é refém de um sistema que criminaliza praticamente todos os seus atos. Num país onde o policial não pode agir o criminoso abusa da violência. Ou no jargão popular, "quando o gato sai o rato faz a festa".

2) ONG's que nunca abriram a boca para manifestar seu repúdio ao gigantesco número de policiais assassinados, mas sempre prontas a gritar quando um assassino perde a vida. Ninguém defende o assassinato de marginais, mas num confronto com a policia não podemos criminalizar um policial que mata o bandido para salvar sua vida.

3) PSOL, PT, e vários outros partidos de esquerda, representados muito bem pela figura de Marcelo Freixo. Suas ideias de que bolhas de sabão e cantar "Imagine" combatem o crime, suas ideias de deslegitimar a polícia, de fingir que tudo é uma questão de conversar, de dizer que os bandidos são violentos pois a polícia é violenta, criaram um ambiente propício a propagação da criminalidade. Pior: acuaram e deixaram na defensiva os bons policiais que ficaram impotentes diante de tamanhas críticas e processos judiciais.

4) Intelectuais: aqueles que inventam artigos dizendo que existem crimes raciais no Brasil (mesmo que seus resultados não confirmem isso), ou ainda que fingem que o problema do Brasil é o feminicídio (mesmo com a taxa de homicídios entre homens sendo 12 VEZES mais alta que a de mulheres), ou que dizem que o problema é a perseguição a alguma minoria, ou inventando outro espantalho qualquer. MENTIRA! A violência no Brasil é generalizada, se existe algum grupo perseguido em nosso país são os policiais (esses sim com taxas assustadoras de mortalidade). Infelizmente, ao aumentarem artificialmente a magnitude de determinado problema (e diminuir a relevância dos crimes mais sérios) os intelectuais desviam RECURSOS PÚBLICOS escassos para locais onde eles são pouco eficientes. Ao dar destaque a crimes que podem até ser importantes, mas não são a prioridade desvia-se recursos de onde eles são mais necessários e urgentes. O resultado é a explosão da criminalidade.

5) O estatuto de desarmamento: ao desarmar a população civil, e não conseguir desarmar os bandidos, o risco do crime para o marginal foi reduzido. O resultado óbvio foi o aumento da criminalidade. Cabe ainda destacar que com a queda do número de policiais e a explosão da violência é covardia deixar o cidadão comum desarmado, sem chance alguma de defender sua vida, sua família, e sua propriedade.

6) A imprensa: seus especialistas sempre prontos a criminalizar o policial, sempre prontos a dizer que prender não resolve, sempre pronta a elogiar políticos de esquerda e criminalizar os deputados que pregam leis mais duras contra o crime (apelidando-os de bancada da bala por exemplo), dizendo que melhor do que construir presídios é construir escolas (como se alguém discordasse disso), ou ainda de passar a falsa impressão de que 60.000 homicídios por ano não é algo sério, tem também parte nesse problema. Quando alguém defende prender bandidos, valorizar o policial, e armar o cidadão a imprensa o trata como um radical de extrema direita, alguém que não deve ser levado a sério. Já aqueles isentões sempre prontos a culpar o sistema são retratados positivamente na grande imprensa.

7) Nosso sistema legal que simplesmente não mantém na cadeia presos de alta periculosidade, mas estranhamente pune duramente alguns crimes menores. Saidão de natal, saidão de dia das mães, saidão de festa junina (sim, existe isso no Distrito Federal). Outro detalhe refere-se a expressiva redução nas penas propiciada pela lei de execução penal (a duração das penas aumentou no Código Penal, mas a duração média das penas é dada pela LEP - Lei de Execução Penal).

8) Nosso sistema policial completamente sucateado: a chance de encontrar o autor de um assassinato, conseguir as provas necessárias, e prendê-lo é próxima de zero no Brasil. Menos de 5% dos assassinatos no Brasil resultam num réu sentenciado e preso. Se a taxa de encarceramento para assassinos é assim, imagine então quão baixa é para crimes como roubo e furto. Com punições tão baixas a criminalidade no Brasil cresce a passos largos.

9) O Estatuto da Criança e do Adolescente: quando uma criança decide matar e estuprar ela deve ser tratada como adulto,  e ser punida como tal. Infelizmente, no Brasil, temos marginais usando e abusando das salvaguardas desse estatuto para praticar a criminalidade e a barbárie.

10) Um sistema educacional completamente falido, que ainda por cima esta impregnado com gangues dentro das escolas. Aliado a isso, a constante propaganda esquerdista de desrespeito as autoridades tradicionais minou completamente a autoridade do professor em sala de aula. O resultado é uma crescente violência dentro da escola. A sensação de impunidade, a baixa qualidade da educação em várias escolas, e a falta de respeito a ordem, estimula muitos desses jovens a ingressarem em atividades ilícitas.

11) A desestruturação da família: várias famílias passaram ao Estado a obrigação de educar seus filhos. Famílias desestruturadas, sem interesse de educar, ausência de bons exemplos no seio familiar, noção de impunidade, tudo isso contribui para aumentar a violência.

12) Políticos covardes que se curvaram ao politicamente correto para ganhar "likes", e deixaram a população sofrer com o crescimento exponencial da violência.

Tudo que a esquerda pediu em termos de segurança pública ela recebeu. Existe apenas uma única exceção: o aborto. A esquerda argumenta que o aborto poderia combater a criminalidade futura. Mesmo essa medida foi em boa parte flexibilizada. Todas as outras medidas que a esquerda sugeriu para combater a criminalidade foram colocadas em prática nos últimos 20 anos. O resultado é a explosão da violência em nosso país.

Em resumo, a situação atual da violência em nosso país é decorrência direta das políticas de segurança pública defendidas pela esquerda. Talvez esteja na hora de colocarmos em xeque as ideias que nos trouxeram a essa situação calamitosa.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

2019: uma ponte longe demais

Em setembro de 1944, logo após o dia D, os aliados lançaram a operação Market Garden. Se fosse bem sucedida essa ousada manobra poderia encerrar a guerra na Europa ainda antes do natal de 1944. A operação foi um tremendo fracasso, a ponte de Arnhem (fundamental para o avanço aliado) era simplesmente longe demais...

Guardadas as devidas proporções, creio que o Brasil está numa posição semelhante hoje. Temos a chance de fazermos as reformas, temos a chance de elegermos um presidente responsável em 2018, temos a chance de recolocarmos nosso país no caminho do desenvolvimento sustentável. Tudo depende de nossa "ponte de Arnhem", tudo depende de fazermos as escolhas corretas.

Infelizmente, quando olho para 2018 vejo a polarização ganhando força em nossa sociedade, vejo populistas prontos a prometerem qualquer coisa para se elegerem, vejo governadores que irão gastar mais dinheiro público para tentarem sua reeleição ou a eleição de seus comandados. Quando olho para 2018 tenho a impressão de que 2019 é uma ponte longe demais.

Deus proteja nosso país. Confesso que tenho muito medo do ano que vem. Olhando para o futuro sinto que 2019 é uma ponte longe demais. Deus tenha misericórdia de nosso país.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O que nos espera em 2018? Conflitos ou Redenção?

Se não me falha a memória estávamos no início de 2011, era a inauguração do Instituto Carl Menger. Tive a honra de ser convidado para lá palestrar. Na sessão de perguntas me lembro de responder que tinha muito medo de 2018. Argumentava que teríamos uma crise econômica muito severa em 2015, e como em toda crise os extremos atrairiam muitos adeptos. Argumentava que nas eleições presidenciais de 2018 os extremos seriam confrontados, e a chance de conflitos seria grande.

O tempo passou, a crise de 2015 ocorreu, e os extremos realmente ganharam força. O ano de 2018 se aproxima e meu medo só aumenta. Infelizmente o PT optou por criminalizar a opinião contrária: se você apoia o impeachment eles te rotulam de golpista; se fala contra cotas eles te acusam de racista; se adverte contra os riscos de uma fronteira desguarnecida eles te chamam de xenófobo. Essa postura é irresponsável, pois criminaliza todos que pensam diferente. Como irão se portar quando Bolsonaro, ou Doria, ou qualquer outro antipetista se destacarem nas pesquisas?

Como será que os grupos de esquerda, doutrinados por pelo menos 14 anos de governo petista, irão se portar frente ao crescimento de candidatos de direita? Lembre-se de que Lula comemorava a inexistência de candidatos de direita nas eleições presidenciais de 2010. Você realmente acredita que eles irão aceitar o debate de ideias? Você realmente acredita na ética de um grupo que defende a inocência de Lula, e apoia a ditadura de Nicolas Maduro na Venezuela?

Tenho vários colegas de esquerda, e vários deles votam no PT. Eles tem todo direito de assim procederem. Esse post não é uma crítica a quem vota na esquerda, esse post é um alerta: está na hora da esquerda voltar a debater ideias, está na hora da esquerda parar de rotular seus adversários de nazistas. Ou como vários esquerdistas gostam de dizer: Mais Amor, por favor!

Tenho muito medo do que nos espera em 2018. Honestamente acredito que teremos pancadaria nas ruas, acredito que teremos grupos de segurança para garantir a ocorrência de comícios. Triste, mas a cada dia que passa veja nosso futuro mais negro. Esse post é um pedido: respeito! Vamos respeitar quem pensa diferente de nós, vamos respeitar o contraditório, e acima de tudo vamos lembrar de que somos todos brasileiros, e de que esse é nosso país. Vamos acalmar os ânimos enquanto ainda é tempo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Conservadorismo e Liberalismo: Uma reposta ao meu amigo Carlos Goes

Carlos Góes é um jovem e competente pesquisador. Tive o prazer de ler alguns de seus trabalhos, todos excelentes. Góes também faz parte da EXCELENTE equipe do Instituto Mercado Popular. Recomendo a leitura, você pode até discordar de alguns de seus textos, mas todos valem a reflexão. Com o texto "Não se engane: o conservadorismo é antagônico ao liberalismo" não é diferente, você pode discordar do texto, mas vale a leitura. Contudo, acho que aqui cabe uma resposta. O texto de Góes segue entre aspas, e minha resposta na sequência.

"No senso comum brasileiro é normal confundir liberais com conservadores. Nada poderia ser mais distante da realidade. Em termos de política objetiva, liberais e conservadores discordam radicalmente. Enquanto conservas vão falar contra as drogas e o casamento gay, liberais vão ter propostas radicais como a legalização de todas as drogas e a desestatização do casamento. Mas liberais e conservadores se antagonizam em algo mais profundo: em seus princípios".

Resposta) Parte expressiva dos conservadores não são contra a legalização das drogas, muitos questionam apenas a operacionalização disso. Além disso, conservadores preferem mudanças graduais. Quanto ao casamento gay, a maioria dos conservadores é contrário ao uso do termo "casamento" nada tendo contra a união homoafetiva. Cabe ressaltar que conservadores e liberais se juntam na defesa a vida, na defesa da propriedade privada, e na defesa da responsabilização individual. Creio que temos mais semelhanças do que propriamente diferenças.

"O foco fundamental dos conservadores é na tradição, nos costumes e na continuidade. Eles partem da ideia de que as gerações passadas, presente e futuras se ligam através de um contínuo histórico de uma “ordem moral”. Por isso, esse elo intrageracional deteria uma superioridade moral que deveria ser preservada. Eles dizem que não são teorias metafísicas que justificariam suas escolhas – mas a “experiência”. As mudanças, embora necessárias “para a nossa sobrevivência”, são vistas como um mal inevitável. O ode é ao status quo".

Resposta) Sim, tradição e costumes são importantes para conservadores. Sim, conservadores gostam da ideia de uma ligação entre gerações passadas, presentes, e futuras. Você pode até usar o termo "ordem moral", mas o significado disso é de transcendência. Tal vínculo dá um sentido importante a nossa vida, nos fortalece diante de um futuro desconhecido. Conservadores não são contrários a mudança. Contudo, o conservador compreende a limitação humana. Se o homem é limitado é óbvio que nossos projetos serão igualmente limitados e suscetíveis a erro. Logo, o conservador sugere mudanças lentas e graduais na sociedade. Assim, os custos associados a erros seriam baixos e facilmente corrigíveis. Por outro lado, a história demonstrou o custo em vidas humanas das revoluções. Um conservador sabe que sociedades complexas não podem sofrer alterações profundas e rápidas sem gerar conflitos internos. São tais conflitos, e a carnificina associada a eles, que o conservador tenta evitar ao sugerir mudanças graduais.

"Antes de mais nada, é importante lembrar que o liberalismo surgiu em oposição àqueles que queriam conservar a velha ordem. O bom e velho Adão Smith falava em favor do livre comércio e pela abolição das leis protecionistas do trigo e milho numa Inglaterra em que tanto o mercantilismo quanto essas leis eram a tradição e estavam lá desde sempre".

Resposta) Sim, isso está correto. Mas desde então o liberalismo econômico faz parte de boa parte dos conservadores. Aqui é importante ressaltar que, ao contrário do liberalismo, o conservadorismo não é uma ideologia. O conservador da Inglaterra no século XX é diferente do conservador brasileiro do século XXI. O conservadorismo varia de local para local, e de época para época. Por exemplo, Edmund Burke, um dos grandes nomes associados ao conservadorismo, era um defensor do livre comércio. A essência do conservadorismo não é o medo da mudança, e nem a restrição ao comércio, mas sim a constatação (também feita por liberais) da limitação da capacidade humana. Daí decorre a defesa de mudanças sociais graduais, e a limitação do poder do Estado.

"Um estranho vício dos conservadores é não perceber o quanto a economia de mercado foi e é revolucionária – e quanto ela abalou as estruturas da sociedade tradicional. A economia de mercado acabou com as posições tradicionais – a ideia de que você sempre seguiria a profissão de seus pais – e libertou as classes mais desfavorecidas para experimentar e tentar buscar uma vida melhor".

Resposta) Sim, é verdade que a economia de mercado revolucionou a sociedade trazendo uma prosperidade nunca vista antes. Mas é igualmente verdade que a maioria dos conservadores apoia a economia de mercado. Não são os conservadores o inimigo aqui, afinal a própria índole do conservador pede por um Estado pequeno. Ronald Reagan, Margareth Thatcher, e Winston Churchill estão entre os maiores conservadores do século passado. Não me parece que eram inimigos da economia de mercado.

"As desigualdades objetivas e de status (embora não as desigualdades de renda) foram significativamente reduzidas com a economia de mercado. Até um Rei passou a estar debaixo da lei. Como dizia Mises, a diferença entre um pobre e um rico numa sociedade pré-economia de mercado era a diferença entre possuir ou não possuir sapatos. A diferença entre um pobre e um rico na sociedade de mercado é entre ter um carrão e ter um fusca".

Resposta) Novamente isso é verdade, mas novamente é verdade que conservadores prezam pela economia de mercado. 

"Isso vai contra toda a tradição. Isso vai contra tudo o que sempre esteve aí. A economia de mercado é uma revolta contra o estado natural da humanidade. É uma boa revolta, porque o estado natural da humanidade sempre foi a pobreza".

Resposta) A economia de mercado foi contra a tradição há mais de 200 anos atrás. Desde então está incorporada na tradição do mundo ocidental. Novamente repito: a economia de mercado, a propriedade privada, e o respeito a vida, são partes integrantes do conservadorismo.

"Embora os conservadores achem que não se justificam em “fórmula mágica feita por um estudioso”, eles não percebem que a derivação de legitimidade dos costumes é em si uma teoria racionalizada. Os costumes, por si só, não justificam nada. É preciso um corpo teórico para derivar legitimidade moral dos costumes".

Resposta) Aqui discordo de meu amigo Góes. A tradição é resultado direto da ordem espontânea (que aliás é corretamente apreciada por meus amigos liberais). O próprio sistema legal inglês, baseado na tradição, pode ser citado como exemplo de ordem espontânea. Sobre costumes alguns conservadores diriam que os costumes foram a resposta a problemas passados dos quais a sociedade já se esqueceu.

"Os costumes podem ser bons ou ruins. Racionais ou irracionais. Os costumes já impuseram a dominação e propriedade masculina sobre as mulheres; a escravidão de negros a brancos; a divisão de pessoas em classes imóveis de aprendizes e profissões; a impossibilidade de se ter mobilidade religiosa; e a ainda persistente lealdade irracional a um desenho em um mapa e uma bandeira – e tantas outras arbitrariedades. Para um liberal, um costume que infringe a justiça e a liberdade deve ser mudado".

Resposta) Certamente isso ocorreu. Mas a pergunta relevante aqui é qual seria a opção? Apenas para dar um exemplo: a escravidão surgiu para que tribos conquistadas não fossem massacradas por seus conquistadores, acabar com o instituto da escravidão poderia ter jogado a sociedade num genocídio. Claro que a partir de determinado momento o instituto da escravidão passou a ser anacrônico, e certamente é motivo de vergonha para os que o defenderam. Mas vamos fazer uma pergunta difícil: qual a melhor solução para acabar com a escravidão: a solução brasileira (conservadora) ou a solução americana (guerra civil)? Note que nenhuma das alternativas é isenta de custos. Cabe ressaltar também que a escravidão não terminou por motivos econômicos, terminou por motivos morais (valor importante para conservadores, mas que nem sempre encontra apoio entre liberais). Mas vamos nos ater a parte final do argumento: Góes está a sugerir que um liberal deve ser contra o conceito de país. Na realidade atual, será que abrir as fronteiras é realmente a melhor solução? Para Góes sim, para mim não. Independente de sua resposta, a verdade é que não existem soluções indolores aqui, e esse é meu ponto. Claro que ideias conservadoras geraram injustiças no passado. Mas é igualmente verdade que foi graças ao conservadorismo que outras soluções mais devastadoras foram afastadas. A ideia conservadora de mudanças lentas e graduais é uma potente arma contra paixões momentâneas que prometem maravilhas no futuro em troca de sacrifícios no presente. Afinal, um conservador sabe que o paraíso não é terrestre. Sabe que nenhum caminho é isento de custos, e sacrificar o presente conhecido em nome de uma promessa de futuro melhor é uma aposta que geralmente não se paga. A escolha conservadora é frequentemente entre o mal menor.

"Outro erro da maioria dos conservadores é não perceber que as instituições sociais estão em permanente revolução, em um processo evolutivo e dinâmico. Elas mudam o tempo todo rumo aos novos desígnios que a sociedade lhes dá. Eles acham que o simples fato delas existirem (o status quo) é que o lhes garante legitimidade, quando a legitimidade deriva precisamente da utilidade social delas. É a sociedade que escolhe o que é útil e o que não é útil, através de suas trocas e do encontro de suas preferências subjetivas".

Resposta) Conservadores gostam de instituições pois enxergam nelas o resultado de uma ordem espontânea. Conservadores não são contra mudanças, são  apenas contra mudanças bruscas e de grande magnitude. Afinal, tais mudanças costumam ter um efeito disruptivo sobre a sociedade.

"Quando algo deixa de ser útil, a ordem é contestada e alternativas são providas. A contestação da ordem faz parte do processo de mudança social necessária a uma sociedade inovadora. A mudança derivada da contestação da ordem não vem por definição “acompanhada de prudência”. A mudança é uma luta constante contra o status quo".

Resposta) A referência ao conservadorismo aqui reside na palavra "prudência". Sim, o conservador é uma pessoa prudente. Sabe das limitações humanas, logo é contrário a mudanças abruptas e profundas na sociedade. Em seu lugar, um conservador prefere mudanças lentas e graduais. Claro que muitas vezes a sociedade tem urgência nas mudanças. Contudo, mudanças abruptas e profundas são características de um regime revolucionário que dificilmente é compatível com a ordem democrática. Numa democracia mudanças repentinas e profundas são impossíveis de serem realizadas.

"Contestação, também, faz parte essencial da preservação da liberdade individual. Como conservadores abraçam uma visão comunitarista de mundo, eles acabam ignorando o valor intrínseco do indivíduo, relegando-o a mera engrenagem na máquina da tradição. Para o liberal, o importante é a preservação da capacidade de expressão das individualidades – inclusive quando, para isso, se torna essencial subverter a ordem vigente. Em diversas situações, o que um conservador chamaria de “prudência” em favor das tradições prevalentes um liberal chamaria de “tirania da maioria".

Resposta) Não creio que um conservador ignore o valor intrínseco de um indivíduo, a proteção a vida abraçada pelos conservadores é um exemplo disso. Conservadores dificilmente são utilitaristas, são os utilitaristas que costumam fazer tal conta e ignoram o valor intrínseco da vida humana. A tirania da maioria é uma preocupação constante dos conservadores. Afinal, conservadores não gostam de mudanças profundas e abruptas que geralmente são prometidas por políticos populistas, e que costumam ser abraçadas pela maioria.

"São nas tentativas de mudar o status quo que se molda o futuro. A gente não sabe qual vai ser o futuro, nem a velocidade das mudanças. Ele é fruto da livre experimentação social e da competição do mercado de ideias. Ao conservador, isso dá calafrios; ao liberal, regozijo. Para o liberal quem deve moldar o futuro são as pessoas – e não as elites presunçosas, seja de direita ou esquerda. Quem acredita em mudança  derivada de ordem espontânea, sem direcionamento nem gurus, são os liberais".

Resposta) Como argumentado antes, os conservadores dão enorme valor na tradição que são um exemplo claro de ordem espontânea. Novamente, o conservador defende sim as mudanças. Mas, como somos seres humanos falhos, defendemos mudanças lentas e graduais que possam ser facilmente revertidas caso se provem equivocadas. Não defendemos gurus, não defendemos salvadores da pátria, exatamente daí vem nosso discurso em prol da prudência.

"O liberal vê a evolução social não como fruto de superioridade moral de costumes, mas como fruto da livre experimentação e competição de ideias. Ele não se foca na estática do passado, mas na dinâmica do presente e nas potencialidades do futuro. Como escreveu brilhantemente Hayek: “antes de mais nada, os liberais devem perguntar não a que velocidade estamos avançando, nem até onde iremos, mas para onde iremos”.

Resposta) Certamente conheço o discurso de Hayek, e muitos diriam até que foi um discurso bem conservador (apesar do título ser o contrário disso). Por não possuírem uma ideologia, os conservadores estão sempre preocupados com a velocidade do processo. É melhor irmos lentamente na direção correta do que rapidamente em direção ao precipício. Claro que o melhor mesmo seria irmos rapidamente na direção correta, mas a mentalidade conservadora impede isso da mesma maneira que nos impede de corrermos para o abismo. Como disse, o conservadorismo tem sim suas falhas. As vezes torna mais lenta alguma evolução positiva, mas por esse mesmo motivo muitas outras vezes nos salva de precipícios.

"Um liberal olha para o futuro e almeja o progresso. A bem da verdade, não há nada menos conservador do que um liberal".

Resposta) Será mesmo? Acaso um conservador quando olha para o futuro almeja o retrocesso? Creio que no Brasil de hoje conservadores e liberais possuem muito mais similaridades do que diferenças.










domingo, 17 de setembro de 2017

Mais Escolas, Menos Presídios? E que tal mais Igrejas?

Existe uma falácia que muitos repetem "Prefiro construir escolas a construir cadeias". Óbvio que qualquer pessoa sensata prefere isso. O problema real não é esse, o problema é que apesar de preferirmos construir escolas, as vezes é necessário construir também presídios.

Mas o motivo desse post é outro: as pessoas que argumentam que preferem escolas a cadeias deveriam elas mesmas serem favoráveis a construção de mais igrejas. O motivo é simples: a eficiência da igreja para evitar crimes é tão defensável quanto a da escola. Isso ocorre em duas frentes:

1) é verdade que educação aumenta o custo de oportunidade da atividade criminosa, mas é igualmente verdade que educação diminui o custo de aprendizagem de atividades ilícitas. Tanto é assim que estudos teóricos colocam o efeito da educação sobre a criminalidade como AMBÍGUO. Isto é, mais educação pode aumentar ou diminuir a criminalidade dependendo dos parâmetros adotados no modelo, e dependendo do tipo de crime em questão (FAJNZYLBER, LEDERMAN, e LOAYZA, 2002). Vale ressaltar que diferentes políticas educacionais tem efeitos importantes sobre a criminalidade (LOCHNER, 2010).

2) A igreja combate QUALQUER tipo de crime, acreditar em Deus e na existência de uma punição (ou recompensa) em decorrência de seu comportamento terreno gera incentivos importantes no combate a criminalidade. Apenas para dar ao leitor uma noção de magnitude existem mais pessoas que acreditam no inferno do que no sistema legal brasileiro. Vários estudos comprovam a importância da interação social no combate a criminalidade, e entre os componentes da interação social resta óbvio que uma família bem estruturada e uma crença na justiça divina atuam positivamente no combate ao crime (MENDONÇA, LOUREIRO, e SACHSIDA, 2002).

De maneira alguma argumento que devemos construir igrejas e não escolas. Argumento apenas que o pessoal do "Mais amor por favor", ou do "Prefiro construir escolas à presídios", deveria dizer que prefere também a construção de mais igrejas.

Para que não restem dúvidas, esse é um post crítico ao pessoal que cria falsas escolhas na sociedade para aparecerem bem na foto, e bancarem os isentões. Da próxima vez que esse pessoal aparecer para bancar os bacanas cobrem deles também a construção de mais igrejas. Tenho a impressão que irão gaguejar! Óbvio que construir escolas é importante, óbvio que igrejas são importantes, mas óbvio também que é necessário construir presídios.

FAJNZYLBER, P., LEDERMAN, D., LOAYZA, N. What causes violent crime. World Bank Report, 1998.

LOCHNER, L. "Education Policy and Crime". University of Western Ontario, September, 2010.

MENDONÇA, M.; LOUREIRO, P.; SACHSIDA, A. Interação social e crimes violentos: uma análise empírica a partir dos dados do Presídio da Papuda. Estudos Econômicos, v. 32, n. 4, p. 621-641, out./dez. 2002.

sábado, 16 de setembro de 2017

Será que funcionários públicos relapsos devem ser demitidos?

Óbvio que funcionários públicos relapsos devem ser demitidos! Ser aprovado num concurso público não é sinônimo de aposentadoria, não é uma garantia eterna de emprego. Sim, maus funcionários públicos devem ser demitidos.

Infelizmente nem tudo que é óbvio é operacionalmente simples. Demitir maus funcionários públicos apesar de correto enfrenta uma dificuldade prática enorme. Em teoria é extremamente fácil separar bons e maus funcionários, mas no mundo real a dificuldade é bem maior. No setor privado, quando o patrão demite por engano um bom funcionário, ou ainda quando resolve perseguir seu empregado por motivações políticas, seu lucro diminui, é a própria empresa que paga a conta desse erro. No setor privado sempre há o lucro para disciplinar a empresa, e em última instância a própria companhia pode ir a falência em decorrência de suas más escolhas.

Já no setor público, permitir que funcionários públicos possam ser demitidos por questões políticas pode representar um ônus enorme para toda sociedade. Imagine se o PT pudesse ter demitido todos os funcionários públicos favoráveis ao impeachment, ou se resolvessem demitir os agentes públicos responsáveis pela operação Lava Jato. O que no setor privado é um problema restrito as partes (empresa e empregados), no setor público é um problema que atinge a toda sociedade.

Para complicar ainda mais a análise, vamos lembrar de um detalhe: quando um funcionário público não faz nada, dificilmente algo acontece com ele. Por outro lado, quando ele é pró-ativo, propõe coisas novas, tenta resolver problemas, toma iniciativas, entre outras coisas que seriam valorizadas no setor privado, bem no setor público isso é um problema. Isso ocorre pois ao setor privado é permitido fazer tudo que não é expressamente proibido, já no setor público só se pode fazer o que está expressamente definido em lei.

O que esse texto tentou demonstrar é que existem diferenças importantes entre o setor público e o setor privado, achar que ambos devem ser administrados da mesma forma é um erro grave. Esse é um aviso expresso a partidos políticos e candidatos que acham que a mentalidade de setor privado irá surtir os mesmos efeitos no setor público, essa ideia não irá funcionar.

De maneira alguma digo que não devemos demitir funcionários públicos relapsos. Pelo contrário, devem sim ser demitidos. Argumento apenas que existe razoável dificuldade técnica em se operacionalizar essa ideia. Mais ainda, se tal ideia for posta em prática de maneira equivocada as perdas para a sociedade serão gigantescas. Se você duvida de mim, imagine o que o PT não teria feito em seus 14 anos de governo federal se pudesse demitir quem lhe fosse contrário.

Em Defesa do Ensino Domiciliar: Eu Apoio o Homeschooling

De maneira geral o homeschooling é o ato de ensinar crianças dentro de casa e não na escola. Você pode ler mais sobre o homeschooling nesse texto publicado no Instituto Mises Brasil.

Existem vantagens e desvantagens associadas ao homeschooling. Entre as desvantagens podemos citar: a falta de interação das crianças com outros alunos do colégio, ausência de um professor qualificado, e o risco da criança não aprender o mínimo necessário. Essas críticas podem estar equivocadas, mas ao menos são justas. Outra série de críticas são pura especulação e preconceito, por exemplo, argumentar que homeschooling é usado para ensinar racismo e xenofobia as crianças. Há mais de 50 anos que crianças são educadas em colégios tradicionais, nem por isso o racismo e a xenofobia deixaram de dar o ar da graça. Xenofobia e racismo não são características do homeschooling, honestidade no debate é fundamental.

Por outro lado temos as vantagens do homeschooling: a criança receberá o conhecimento num ambiente seguro (basta olhar a violência associada a escolas brasileiras para rapidamente compreender essa vantagem), numa idade em que a criança está suscetível a influências negativas ela estará mais próxima de seus pais, e a criança pode ter um horário de estudo muito mais adequado a sua realidade específica. Outro argumento muito utilizado é que as escolas tradicionais deixaram de ser um local de aprendizado para se transformarem em centros de doutrinação que eliminam a capacidade de raciocinar dos alunos, e em seu lugar colocam uma visão de mundo específica de seus professores (muitas vezes completamente dissociadas da realidade que os cerca).

Certamente existem vantagens e desvantagens associadas tanto ao colégio tradicional quanto ao homeschooling. Contudo, existe aqui um argumento inquestionável: a esmagadora maioria dos pais ama seus filhos, a esmagadora maioria dos pais daria com prazer sua vida para salvarem a de seus filhos. Sendo assim, quando um pai ou uma mãe decidem pelo homeschooling o mais provável é o fazerem por acreditar que isso será benéfico a seus filhos. Outro detalhe, pais preguiçosos não escolhem o homeschooling. Por óbvio educar as crianças em casa dá muito mais trabalho do que enviá-las a escola.

Quando pais decidem ensinar seus filhos em casa sua vontade deve ser respeitada. Infelizmente, no Brasil de hoje, pais que optam pelo homeschooling de seus filhos podem ser criminalmente processados, isso é um completo absurdo. Todos os pais tem o direito, e o sagrado dever, de zelarem por seu bem mais precioso: seus filhos. O homeschooling é um compromisso severo que pais fazem com seus filhos. Muitas vezes o pai ou a mãe abrem mão de suas carreiras, e de seu lazer, para ensinarem seus filhos em casa. Tal sacrifício deve ser respeitado, nunca punido.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Santander, MBL, e a Liberdade de Expressão

Sejamos claros: a liberdade de expressão é um dos fundamentos de nossa sociedade. Semana passada ganhou destaque a mostra cultural do Banco Santander: Queermuseu. Nela estão expostas hóstias profanadas, imagens religiosas igualmente desrespeitadas, e quadros com os dizeres "Criança Viada" ou ainda "Criança Viada Travesti da Lambada". Vários grupos da sociedade (e não apenas grupos religiosos) protestaram contra a mostra. Entre tais grupos o protesto do Movimento Brasil Livre (MBL) recebeu bastante destaque. Depois da pressão da sociedade o Santander cancelou a mostra. Você pode ler mais sobre o episódio clicando aqui.

Alguns fatos me chamaram a atenção:

1) A imprensa e o beautiful people tentaram dar a entender que o protesto era coisa de quem não respeitava a liberdade de expressão. Isso é FALSO! A liberdade de expressão vale para ambos os lados. Vale para quem quer expor a arte e vale igualmente para quem quer criticá-la. Ou será que agora querem calar quem discorda? Será que querem nos tirar o direito de protestar? Repito: a liberdade de expressão pode ser invocada tanto por quem defende o direito de expor sua obra como por aqueles que defendem o direito de criticar tal obra.

2) Parte importante do protesto referiu-se ao cancelamento de contas no Banco Santander. Querem protesto mais liberal do que esse? Quem discorda da política cultural do Santander tem todo direito de trocar de banco. Aliás essa é a uma das principais maneiras de se protestar numa economia de mercado: se discordo do fornecedor tenho liberdade de troca-lo.

3) Absurdo quem destruiu propriedade privada. Inadmissível que pessoas destruam aquilo de que discordem. Isso não é aceitável e é contrário a qualquer princípio liberal ou conservador (afinal ambos dão grande destaque a propriedade privada).

4) Imagine que em vez de "Criança Viada" o quadro se chamasse "Negro Fedido". Será que esse pessoal do beautiful people ainda estaria apoiando a liberdade de expressão e a mostra do Santander? De minha parte digo que "Criança Viada" e "Negro Fedido" são nomes de extremo mau gosto, mas respeito a liberdade de expressão. Sou consistente, mas será que podemos dizer o mesmo daqueles que boicotaram uma mostra de arte apenas porque o filme do Olavo de Carvalho lá seria exibido?

5) Por que o boicote liderado por alguns intelectuais ao filme de Olavo de Carvalho não causou revolta na grande imprensa e no beautiful people?

6) O MBL protestou contra a mostra do Santander. Concordo com a postura do MBL, também achei a mostra ofensiva. Protestar é meu direito. Protestar faz parte da liberdade de expressão. O que não entendi foi algumas pessoas querendo dizer que a posição do MBL não era liberal. Ora os protestos contra Dilma não eram legítimos? Será que não era liberal protestar contra o PT? Óbvio que o protesto é uma manifestação liberal, e não há nada de errado no MBL ter se posicionado dessa maneira. ERRADO é exigir censura pelo Estado, mas em nenhum momento o MBL exigiu isso.

A verdade é que boa parte da população está cansada do duplipensar, da linguagem dupla, dos dois pesos e duas medidas que são adotados recursivamente por parte da imprensa e de alguns intelectuais. Exigem liberdade plena para eles, mas querem a todo momento cercear a nossa.



domingo, 10 de setembro de 2017

O que é a Terceira Via? Ela é possível?

O termo "terceira via" geralmente se refere a uma ideia de moderação, um meio termo entre duas propostas distintas. Os adeptos da terceira via costumam argumentar que reúnem o melhor de cada ideia, aglutinam o melhor de cada proposta numa terceira que conteria apenas as vantagens das propostas anteriores, e eliminaria suas desvantagens.

Um exemplo típico de terceira via é querer aglutinar as vantagens do capitalismo e do socialismo numa mesma proposta. Quando era aluno do direito vários de meus professores mostravam uma teoria, e depois uma teoria alternativa, e então concluíam que a terceira via juntava o lado bom das outras duas, mas sem nenhuma das desvantagens das anteriores.

Como fã de Star Trek, lembro de um episódio chamado "O Melhor de Dois Mundos". Nesse episódio os humanos encontram os Borgs, raça que muitos podem qualificar como os comunistas espaciais. O episódio mostra que a terceira via simplesmente não é possível, pois a individualidade humana não pode ser preservada na coletividade Borg, e vice-versa.

Quando estruturamos uma ideia, partimos de determinados princípios. Ao desenvolvermos os princípios chegamos a determinadas conclusões, e essas conclusões possuem pontos positivos e negativos. O que algumas pessoas gostam de fazer é juntar o resultado de ideias distintas, mas querem alterar diretamente a conclusão (sem alterar os princípios). Ora isso é simplesmente incorreto, a conclusão (o resultado) é o resultado dos princípios, alterar a conclusão sem antes alterar os princípios é um claro erro lógico (assumindo que erros lógicos não tivessem sido cometidos antes).

Nosso mundo não é o paraíso, toda ideia terá coisas boas e ruins associadas a ela. A ideia liberal é maravilhosa, mas é evidente que possui limitações. Contudo, acreditar que é possível alterar apenas as conclusões de uma teoria, sem antes alterar seus pressupostos, é um erro grave. A força do liberalismo reside na propriedade privada, na liberdade e responsabilidade individual, e num sistema de preços via mercado. Esses são os pilares do liberalismo, você só pode mudar o resultado desse sistema alterando seus pilares. Acreditar que é possível alterar apenas os resultados do liberalismo sem alterar seus pilares é logicamente absurdo. Contudo, alterar os pilares do liberalismo é equivalente a destruir a ideia liberal.

Outro exemplo recorrente são pessoas querendo alterar questões específicas da Igreja Católica sem se atentarem para os pilares da Igreja. Veja a questão do divórcio, muitos reclamam que a Igreja Católica não aceita o divórcio. Contudo, essas mesmas pessoas se esquecem de que num casamento católico é feito um juramente a Deus, é feita uma afirmação de que aquilo que Deus uniu o homem não pode separar. Como conciliar isso com a ideia do divórcio? Certamente, não dá pra dizer: "os tempos são outros então a Igreja tem que aceitar". A doutrina católica não funciona assim. Hoje existem vários teólogos tentando construir uma ponte, uma maneira de reconciliar indivíduos que se divorciaram - e agora estão numa nova relação - com a Igreja. Mas essa é uma tarefa árdua, e difícil de ser realizada sem alterar profundamente outros dogmas da Igreja.

Para finalizar, geralmente a ideia de uma terceira via (unindo o melhor de duas ideias opostas) é um discurso vazio. É a maneira de não se comprometer e de passar a impressão de uma pessoa moderada. A terceira via costuma ser a via expressa para o pior de dois mundos. Pra ser justo com o leitor, vale ressaltar que vários outros autores já chegaram a essa conclusão.

domingo, 3 de setembro de 2017

Os Ultra Thunder Mega Super Double Radicais de Extrema Direita!


Já notaram que quando a imprensa se refere a um conservador, ou a um liberal, ela nunca usa termos como: conservador, liberal, centro-direita, ou direita. Para eles sempre somos: ultra liberais, ultra conservadores, radicais de extrema direita, extrema direita, ou assemelhados.

Por outro lado nunca ouvi o termo radical de esquerda na imprensa, nem mesmo quando falam do PSOL. Nunca ouvi o termo "radical" ou "extrema" ser aplicado a qualquer político ou personalidade de esquerda.

Por que será? Por que será que querem taxar qualquer liberal ou conservador de extremista? Por que toda vez que você defende ideias de direita é classificado pela imprensa como um radical?

Esse tipo de manobra tenta nos desqualificar no debate, tenta nos destruir antes mesmo de darmos nossa opinião. Por outro lado, a complacência com grupos radicais de esquerda (como os black blocs) continua tentando dar roupagem moderada a grupos extremistas de esquerda.

Lembre-se: o PT é um partido de esquerda, o PSDB de centro-esquerda. Ao dividir o mundo entre PT e PSDB a imprensa qualifica qualquer ideia, ou opinião, à direita do PSDB como de extrema direita. Curiosamente não faz o mesmo com partidos que estão a esquerda do PT.

Então já sabe: ano que vem vá se acostumando a ouvir a imprensa chamar conservadores, liberais, e outros moderados de direita como os Ultra Thunder Mega Super Double Radicais de Extrema Direita!

Carta Aberta a Sociedade: é justo que um grupo decida quem pode e quem não pode trabalhar?


Na Idade Média ficou famosa a existência de guildas (grêmios) de profissionais. Do padeiro ao ferreiro, todos precisavam da aprovação de sua guilda para ter direito a exercer seu ofício. O tempo passou, mas no Brasil essa realidade permanece. De engenheiros a médicos, de economistas a advogados, se você quer exercer seu ofício é obrigado a se associar, e pagar, a sua respectiva guilda.

Nós economistas ensinamos que competição favorece o consumidor, favorece a sociedade. Contudo, o que a guilda de economistas faz é impedir a livre competição no mercado, chegando ao cúmulo de impedir que profissionais altamente qualificados possam exercer o ofício de economista. Nos referimos especificamente aos Conselhos Regionais de Economia.

Os Conselhos Regionais de Economia funcionam como um grande monopólio, decidindo quem pode e quem não pode exercer a profissão. O Conselho argumenta defender a profissão, mas defende apenas sua reserva de mercado. O Conselho deveria aplicar o que qualquer economista sabe, isto é, que o resultado de livre mercado é superior ao resultado de monopólio. Ao se recusar em permitir a livre competição no mercado, os Conselhos Regionais de Economia vão contra aquilo que os manuais básicos da profissão pregam.

Esta carta pede que o direito básico a exercer sua profissão seja respeitado. Por que devo pagar a um Conselho para ter direito a trabalhar? De maneira alguma somos contrários a que indivíduos se reúnam e criem suas próprias associações e conselhos, mas tais associações não podem ter o poder de dizer quem pode e quem não pode trabalhar em determinado ofício.

Em resumo, as pessoas que assinam essa carta defendem o fim da obrigatoriedade de associação a guilda popularmente conhecida por Conselho Regional de Economia. Se indivíduos quiserem voluntariamente continuar a pagar pelo Conselho isso é direito deles. Contudo, é inaceitável que a recusa em pagar o Conselho Regional de Economia implique na proibição ao exercício da profissão.

sábado, 2 de setembro de 2017

A Associação ao CORECON deve ser voluntária, nunca obrigatória! Se concorda assine o abaixo assinado!


Pelo FIM da OBRIGATORIEDADE de associação ao CORECON para exercer o ofício de economista. Se você acha o corecon importante então a associação deve ser voluntária, e não obrigatória. Se concorda assine o documento pelo fim da cobrança da taxa! Você pode assinar o documento aqui.

A Resistência Venezuelana no Brasil e as Reportagens da Folha de São Paulo e Estado de São Paulo


O regime de Nicolas Maduro na Venezuela é uma ditadura sangrenta. De repente, alguns chavistas históricos se deram conta disso e começaram a abandonar o barco fingindo que não tiveram culpa de nada, esse é o caso da ex-procuradora Luisa Ortega. Leia as matérias sobre ela na imprensa e você verá sempre um tom de respeito. Infelizmente ninguém se preocupou em perguntar o porque de só agora ela denunciar o chavismo e a ditadura venezuelana.

Por mais absurdo que pareça ainda tem gente no Brasil que não se convenceu de que a Venezuela é governada por um ditador. Por exemplo, o PT apoia o ditador Nicolas Maduro. Mas vexame mesmo foi ler as reportagens da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo sobre Eduardo Bittar e Roderick Navarro. Ambos opositores do regime desde muito tempo, ambos lutando contra a ditadura desde seu início.

Na reportagem da Folha você pode ler que eles são chamados de criminosos pelo governo venezuelano. Ainda nessa matéria a Folha faz questão de escrever "grupo de extrema direita". Nessa outra reportagem a Folha anuncia de novo que ele é acusado pelo governo venezuelano e tem pedido de prisão decretado. Aparentemente a Folha se esquece que ditaduras costumam inventar histórias e mentir para prender adversários políticos. Ou não foi assim que Maduro prendeu outros adversários políticos? Por que a Folha tem tanto ódio de quem luta contra o chavismo desde pelo menos 2007???

Na reportagem do Estado de São Paulo o vexame é ainda maior. Essa é a manchete que o Estadão dedicou a dois jovens que denunciam e lutam contra a ditadura de Maduro: "Antichavistas enfrentam périplo até Brasília para protestar, sem estragar sapatos e amassar ternos". Vergonhoso.

Eduardo Bittar e Roderick Navarro são integrantes do movimento Rumbo Libertad. Eu agradeço a luta desses jovens heróis da resistência. Muito obrigado por sua luta, muito obrigado por seu sacrifício.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sou doutor e pós-doutor em Economia, mas não sou economista

Amigos, deixo aqui um aviso de utilidade pública.

Tenho graduação em economia pela Universidade Estadual de Londrina. Mestrado e Doutorado em economia pela Universidade de Brasília, e pós-doutorado em economia na Universidade do Alabama. Mesmo assim não sou economista. Motivo: não sou filiado (isto é, não pago) ao Conselho Regional de Economia. Sendo assim, não posso ser chamado de economista.

De nada valem minhas análises econômicas, de nada vale minha titulação, de nada adianta meus mais de 60 artigos acadêmicos publicados em revistas nacionais e internacionais. Também nada conta o fato de eu ter sido professor de economia na Universidade do Texas, na Universidade Católica de Brasilia, na Universidade de Brasília, ou no IBMEC. Como não sou inscrito no Conselho Regional de Economia não posso ser chamado de economista.

Quando dou entrevistas sempre aviso ao jornalista "Por favor, escreva doutor em economia". Peço para não dizerem que sou economista, afinal como não pago a anuidade, e nem sou inscrito, ao Conselho Regional de Economia não posso ser chamado de economista.

Você concorda com isso? Será que não está na hora de mudar isso?

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Por que o mercado está sendo tão gentil com o Brasil?

Existe uma pergunta que não quer calar: por que o mercado tem sido tão paciente com a situação brasileira? Sejamos claros, a situação fiscal do governo federal é péssima. Os déficits primários continuam a mostrar que o governo central simplesmente não consegue cortar gastos na magnitude necessária. Aqui vale uma ressalva: a equipe econômica do Ministério da Fazenda está fazendo o possível, mas as despesas obrigatórias (aquelas que o governo é obrigado por lei a cumprir) não param de crescer. Simplesmente não é possível cortar muito mais sem reformas mais profundas.

Se a situação fiscal da União é ruim, a situação dos estados e municípios consegue a façanha de ser pior ainda. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul estão a beira do colapso. Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal irão se juntar a eles em breve, e vários outros estados e municípios estão em situação precária (para dizer o mínimo). Em vários estados e municípios o número de funcionários aposentados já é quase igual ao número de funcionários ativos. Isto é, em breve teremos a peculiar situação de gastarmos muito dinheiro com pagamento de funcionários públicos ao mesmo tempo em que faltam funcionários públicos (pois boa parte deles estará aposentada).

Resolver a situação fiscal da União é extremamente difícil, mas resolver o problema de estados e municípios beira o impossível com as regras atuais. Já disse antes e repito: o Brasil terá que escolher entre direitos adquiridos e inflação. Manter os direitos adquiridos implicará inevitavelmente na volta da inflação. Não é possível manter as regras atuais de aposentadoria, e também não é moralmente correto pagar R$ 50 mil por mês para um juiz de 55 anos aposentado. Ou mexemos nos direitos adquiridos ou somente a inflação para resolver a situação fiscal de estados e municípios. Eu escolho mexermos nos direitos adquiridos. Mas alguém realmente acredita que o governo irá tentar essa opção?

Então eu pergunto: por que o mercado continua a confiar no Brasil? Alguns argumentam que o mercado está precificado errado. Discordo, não creio que os especialistas de mercado não estejam vendo nossa tênue situação fiscal. Outros argumentam que existe um excesso de liquidez no mundo, e a taxa de juros no resto do mundo está muita baixa, assim o Brasil apesar de arriscado ainda é uma opção que vale a pena. Pode ser, faz certo sentido. Mas eu creio numa outra resposta. Em minha opinião existe uma crença generalizada de que o governo brasileiro irá sempre socorrer as grandes empresas. Assim, seria seguro investir em grandes empresas, ou aplicar em grandes bancos, pois na pior das hipóteses seria sempre possível recorrer a uma ajuda do governo (tipo um bailout) para salvar as grandes corporações. Por aqui a mentalidade do "too big to fail" (grande demais para quebrar) ainda é bem forte.

Respondo assim a pergunta que eu mesmo formulei: o mercado não está sendo gentil com o Brasil. Pelo contrário, vários investidores já entenderam que a taxa de juros aqui (apesar de estar caindo) é bem mais alta que no resto do mundo, mas ao mesmo tempo acreditam que tem duas opções: a) sempre poderão tirar o dinheiro daqui rapidamente ao primeiro sinal de perigo; ou b) o risco não é tão elevado, pois contam com uma futura ajuda do governo (bailout) caso algo dê errado. Em minha modesta opinião, creio que a opção "a" é viável para títulos de curtíssimo prazo. Mas os que apostarem em "b" podem ser surpreendidos justamente por quem eles imaginavam que seria seu salvador.

Sou absolutamente contra qualquer tipo de calote, sou absolutamente contra a volta da inflação. Então só me resta defender as grandes reformas de que nosso país precisa. Ou Fazemos as reformas ou teremos problemas cada vez mais sérios nos próximos anos.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Instituto Mercado Popular, muito obrigado!

O Instituto Mercado Popular é um laboratório de políticas públicas que vale a pena ser conhecido, escreve matérias interessantes e análises sérias.

Já faz algum tempo que gosto de ler seus artigos, mas ganhei meu dia quando eles resgataram um vídeo meu de 2013 quando eu alertava sobre a crise econômica que ocorreria em 2015.

Deixo aqui registrado meu agradecimento ao Instituto Mercado Popular, muito obrigado mesmo! Significou muito para mim, obrigado.

sábado, 19 de agosto de 2017

10 Mulheres Maravilhosas que Influenciaram minha vida

"Quando as mulheres erram, os homens vão atrás" (Mae West)

Escolher uma lista com apenas 10 mulheres maravilhosas não é tarefa fácil. Esse não é um ranking histórico, não é uma ordenação das 10 mulheres mais importantes da história, é apenas uma lista com 10 mulheres que admiro e exerceram influência em minha personalidade. Tarefa difícil escolher apenas 10 mulheres, mas hoje é sábado e vale a pena dar uma divagada... Por óbvio estão listadas apenas mulheres de vida pública, minha mãe que certamente foi a mulher que mais me influenciou está fora da lista, e o mesmo vale para minhas professoras (como a tia Ruth e a tia Odete). Faça você também sua lista. Verá que suas escolhas revelam muito sobre você, e verá também que muitas mulheres incríveis simplesmente não são citadas por movimentos feministas.


10) Mae West

9) Rainha Vitória

8) Ingrid Bergman

7) Anne Frank

6) Margaret Thatcher

5) Helen Keller

4) Joana D'Arc

3) Florence Nightingale

2) Marie Curie

1) Maria, Nossa Senhora Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nosso futuro fiscal é sombrio: Nesse ritmo nossa dívida pública aumentará em R$ 900 bilhões em apenas dois anos! Precisamos aprovar as reformas

Amigos, as contas públicas estão em situação caótica. O governo acaba de elevar para R$ 159 bilhões a meta de déficit primário para 2017 e 2018. Os números já eram ruins, e o que o governo anunciou mostra a piora do que já era péssimo.

Vamos ser claros: essa piora não sai de graça para o contribuinte. Em primeiro lugar, mais déficit significa mais impostos no futuro. Em segundo lugar, as expectativas vão ficando piores o que pode pressionar negativamente a rolagem da dívida pública.

Alguns incautos acreditam que basta anunciar uma déficit maior e tudo bem. Errado! Ao anunciar o novo déficit o governo mostrou que foi incapaz de realizar os ajustes necessários na economia. Sim, eu sei que a arrecadação caiu. Sim, eu sei que a equipe econômica vem fazendo um bom trabalho. Contudo, o resultado continua ruim. O déficit primário anterior já era alto, e mesmo assim o governo foi obrigado a piorá-lo ainda mais para poder fechar suas contas.

O problema é que não há garantia alguma de que com esses novos números de déficit a boa vontade do mercado irá continuar. Pelo contrário, o mais provável é que com o passar do tempo as expectativas se tornem cada vez mais desfavoráveis. Pressionando ainda mais a economia, e jogando dúvidas sobre nosso futuro.

Ano que vem teremos eleições para governadores, deputados estaduais e federais, senadores, e presidente da República. Alguém realmente acredita em contenção do déficit ano que vem? Alguém realmente acredita que ano que vem os governos estaduais e federal irão tentar aprovar reformas e/ou reduzir o gasto público?

Não tem como isso acabar bem. Nesse ritmo nossa dívida pública irá aumentar em torno de R$ 900 bilhões apenas na soma de 2017 e 2018. Alguém realmente acredita que isso é sustentável? Vou repetir, nesse ritmo de déficits primário nossa dívida pública irá aumentar em espantosos R$ 900 bilhões em apenas dois anos. Um aumento de quase 30% no estoque da dívida em dois anos! O tempo para aprovar as reformas está acabando. Já disse e repito, a escolha hoje é entre fazer reformas ou aceitar a volta da inflação. Eu prefiro as reformas, mas infelizmente parece que iremos arcar mesmo é com a inflação.

domingo, 13 de agosto de 2017

Conversando com o Sachsida: Lucas Berlanza

Nesse vídeo conversamos sobre a Nova Direita, cultura, batalha de ideias, e resgatamos um personagem histórico: Carlos Lacerda. Para assistir clique aqui.

sábado, 12 de agosto de 2017

Em Defesa do Imposto Único

"It's simple, not easy" (É simples, mas não é fácil) - Ronald Reagan

Alguns fatos para embasar a discussão:

1) Em fevereiro de 2016 existiam 92 diferentes tipos de tributos no Brasil

2) Entre 1988 e 2013 foram adicionadas ao nosso ordenamento jurídico, em média, 31 novas normas tributárias por dia

3) Em 2016 a soma de todos os litígios tributários (tanto em dívida ativa quanto em andamento jurídico ou administrativo) correspondia a 66% do PIB

4) No Brasil temos 16 processos tributários para cada grupo de 10.000 habitantes (para os Estados Unidos esse número é de 1 processo tributário para cada grupo de 10.000 habitantes)

5) No Brasil uma empresa de tamanho médio gasta 2.600 horas por ano com a burocracia tributária. Um número absurdamente alto quando comparado com países como o México (334 horas por ano) ou Argentina (405 horas por ano). Para finalizar, basta ressaltar que o segundo pior país da amostra nesse quesito é a Bolívia, onde se gastam 1.025 horas com a burocracia tributária

6) Em relação a OCDE, em 2014, a carga tributária do Brasil foi de 32,4% do PIB, similar a de países como o Reino Unido (32,6%) e Nova Zelândia (32,4%). Mas muito superior a carga tributária de Chile (19,8%), Coreia do Sul (24,6%), e Estados Unidos (26%).

7) Em relação a América Latina e Caribe, em 2014, nossa carga tributária foi similar a da Argentina (32,2%), mas muito superior a dos demais países. Por exemplo, a carga tributário no México é de 19,5%, e a média da região é de 21,1% do PIB.

8) De acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), entre os 30 países com a maior carga tributária no mundo, o Brasil é o que proporciona o pior retorno dos valores arrecadados em prol do bem-estar da sociedade.

Os números acima mostram três fatos incontestáveis: a) nossa complexidade tributária é gigantesca; b) nossa carga tributária é elevada para nosso padrão de desenvolvimento; e c) o retorno obtido com o pagamento dos impostos é péssimo. Existe uma maneira simples de resolver esse problema: a adoção do imposto único. Me antecipo aqui aos críticos que provavelmente dirão "Para todo problema complexo existe uma resposta simples, e errada". Sim, a frase é boa. Mas não creio se aplicar nesse caso.

Qual seria esse imposto único? O imposto único seria aquele consagrado em qualquer livro de microeconomia, macroeconomia, ou economia do setor público, me refiro a taxação lump sum. Um imposto lump sum é aquele onde cada indivíduo paga exatamente a mesma quantia, seja rico ou pobre, homem ou mulher, todo indivíduo paga exatamente a mesma quantia. Claro que você pode argumentar ser injusto o rico pagar a mesma quantidade de imposto que o pobre. Contudo, devo lembra-lo que a tributação não deve ser usada para distribuição de renda. Tributação serve apenas para financiar as atividades do Estado. A distribuição de renda deve ser feita, como qualquer manual de economia recomenda, via gasto público (e não via tributação).

De acordo com dados da Receita Federal, em 2015, a arrecadação total (incluindo governo federal, estadual, e municipal) somou R$ 1,93 trilhões (um trilhão e novecentos e trinta bilhões de reais). De acordo com dados do IBGE, em 2015, a população total do Brasil era de aproximadamente 204.450.000 (duzentos e quatro milhões e quatrocentos e cinquenta mil) habitantes.

Se o lump sum fosse cobrado apenas da população entre 22 e 75 anos de idade, teríamos que cada um deveria pagar anualmente R$ 15.135 reais de imposto, ou um valor mensal de R$ 1.261,00. Sim, eu sei que esse valor é próximo da renda média de nossa população. Mas isso só mostra como a carga tributária brasileira é alta para nossos padrões de renda. Não se esqueça que essa carga tributária será paga de uma maneira ou de outra, o que eu proponho aqui é uma maneira mais simples, direta, e honesta de financiar a atividade do Estado.

Algumas vantagens de minha proposta: 1) populistas teriam dificuldade de se eleger. Afinal, a população notaria que ao aumento dos gastos do governo aumenta também o valor do imposto a ser pago; 2) todos os bens, serviços e produtos estariam isentos de impostos. Imaginem a redução nos preços e o estímulo a produção (pela eliminação das distorções tributárias que reduzem a produtividade); 3) Indivíduos menores de 22 anos de idade ou maiores de 75 anos estariam isentos de pagar impostos; 4) O governo poderia usar essa tributação para distribuir a renda diretamente via gasto público. Por exemplo, os beneficiários do Bolsa Família poderiam receber uma compensação maior (exatamente o princípio do imposto de renda negativo proposto por Friedman ou um simples e direto aumento no valor do Bolsa Família); 5) Aqueles que acham isso injusto poderiam criar fundos privados para ajudar os mais pobres a pagar o imposto (aos meus amigos libertários, isso se assemelha ao que é conhecido por imposto voluntário).

Que tal pensar a respeito? Mantenha uma coisa em mente: se você achou esse valor alto lembre-se que a carga tributária será paga de uma maneira ou de outra. A carga tributária brasileira será paga por um imposto como o lump sum ou por outros tributos que para arrecadar a mesma quantia precisam punir muito mais nossa sociedade.


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Pobre de Direita, Negro Liberal, e Gay Conservador: a Esquerda Simplesmente não os entende


Seja em grupos de WhatsApp seja na universidade ou na grande imprensa, um esquerdista simplesmente não consegue entender como um pobre pode ser de direita, como um negro pode ser liberal, ou como um homossexual pode ser conservador.

As esquerdas tratam minorias como se fossem sua propriedade. Veja o ódio com que o movimento negro trata negros que são contrários a cotas, ou como esquerdistas tripudiam de pobres que aderem a movimentos de direita, ou ainda como homossexuais são perseguidos por movimentos LGBT apenas por se posicionarem como conservadores.

A verdade é que parte importante dos homossexuais já entenderam o óbvio: boa parte dos movimentos LGBT estão mais preocupados com pautas de esquerda do que exatamente em defender homossexuais. A maior garantia de viver sua vida em paz é defender os valores que consolidaram o mundo ocidental, e é exatamente daí que vem a força do movimento conservador: ao destacar e defender a importância da liberdade individual e da propriedade privada o movimento conservador é uma garantia de que homossexuais não serão perseguidos por suas preferências sexuais.

Ao defender ideias liberais um negro defende que o valor de um indivíduo não pode ser determinado pela cor de sua pele, ora mas é exatamente isso que qualquer pessoa sensata deveria defender. O liberalismo é um conjunto de ideias com forte ênfase na liberdade individual e na propriedade privada. Ora essas garantias independem da cor da pele, logo é mais do que natural que grupos que foram perseguidos no passado adiram a movimentos liberais.

De maneira geral, a direita compreende boa parte dos movimentos liberais e conservadores. Sendo assim, a ênfase na liberdade individual e na propriedade privada é regra na direita. Essa regra gera uma sociedade propícia aos mais pobres terem acesso a um conjunto maior de oportunidades, e mais segurança em relação a seu patrimônio. Mais oportunidades e segurança são demandas claras de toda sociedade, inclusive dos mais pobres. Daí o fato de que boa parte dos pobres apoia ideias de direita.

Óbvio que podemos incluir homens, mulheres, brancos, negros, indígenas, hetero, homossexuais, ricos ou pobres, e toda divisão que se queira fazer entre seres humanos, em uma das regras acima. A verdade é que a direita, os liberais ou conservadores, são defensores das liberdades individuais e da propriedade privada, que são garantias básicas para que o indivíduo viva sua vida em paz, como bem entender, sem ter que ser incomodado por suas preferências sexuais, sexo, etnia, ou cor da pele.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Inflação x Reformas Econômicas: a Escolha é sua

Amigos, este post é apenas para registro histórico. Já cansei de avisar, a situação fiscal brasileira é péssima. A situação fiscal do governo federal é horrorosa, mas os estados e municípios conseguem a proeza de estarem em situação pior ainda. O estado do Rio de Janeiro é apenas a ponta do iceberg. Rio Grande do Sul e Minas Gerais já despencaram do precipício, é questão de tempo para sentirem o impacto. Paraná e Distrito Federal estão na beira do precipício, e os outros estados não estão em situação melhor. Com os municípios é questão de tempo para chegarem no mesmo patamar.

Vocês leitores não veem, mas o desastre está ali e tem nome: folha de pagamento de ativos e inativos. Em breve, na maior parte de estados e municípios, o número de funcionários aposentados será superior ao de funcionários na ativa. Em resumo, com o tempo, por causa das aposentadorias, a rede pública terá menos professores, menos médicos, menos policiais, e mesmo assim o custo da folha de pagamento continuará a subir. Tem outro detalhe: vários estados e municípios criaram fundos próprios de previdência. Desnecessário dizer que boa parte deles está em situação calamitosa e beira a insolvência. Essa conta vai sobrar também para o contribuinte.

A carga tributária brasileira já está acima de 33% do PIB. Isto quer dizer que a cada 3 (três) dias de trabalho 1 (um) você trabalha para pagar o Estado. Essa carga tributária já é elevada para padrões de países em desenvolvimento, e é alta também se compararmos com os benefícios recebidos de volta. Em resumo, o espaço para aumentar ainda mais a carga tributária parece ser pequeno.

O Brasil precisa escolher, não há para onde fugir, ou fazemos as reformas necessárias (tributária, previdenciária, abertura econômica, desburocratização e facilitação para abertura de empresas, e redução dos custos de contratação) ou teremos a inflação de volta.

Sobre as reformas deixo claro que alguns direitos adquiridos precisam ser revistos. Não dá para pagarmos aposentadoria de R$ 50 mil por mês para juízes aposentados de 60 anos de idade. Não dá para pagarmos aposentadorias de R$ 70 mil por mês para políticos aposentados. Não dá para uma professora de 50 anos de idade, gozando de boa saúde e em pleno vigor físico e mental, se aposentar na rede pública de ensino. Não dá para mantermos subsídios bilionários para empresários que no passado fecharam acordos com o governo. Não dá para mantermos desonerações tributárias, setores específicas, que custam bilhões de reais aos cofres públicos.

Como economista eu escolha as reformas. Como pai de família eu escolho as reformas. Como cidadão brasileiro eu escolho as reformas. E você? O que escolhe? Não adianta fugir, não adianta divagar, a escolha é somente essa: ou fazemos uma ampla reforma (incluindo uma revisão de determinados direitos adquiridos) ou a inflação irá voltar e ajustar as contas públicas. Em 2018 é você que, ao votar, irá fazer essa escolha.



domingo, 6 de agosto de 2017

Conversando com o Sachsida: Paulo Fernando

No programa de hoje converso com o advogado Paulo Fernando sobre as eleições de 2018: Bolsonaro, Lula, Doria e muito mais. Para assistir clique aqui.

Temos que falar sobre a discriminação no mercado de trabalho sofrida por Liberais e Conservadores


Discriminação significa tratar pessoas iguais de maneira diferente única e exclusivamente por causa de algum atributo seu que não lhe afeta a produtividade. Os exemplos mais famosos de discriminação no mercado de trabalho se referem a discriminação contra negros e mulheres. Mas a rigor existem vários outros exemplos menos conhecidos, tal como a discriminação sofrida por pessoas com deficiência física, discriminação contra estrangeiros, discriminação baseada no local de moradia, discriminação contra pessoas feias, discriminação contra travestis, etc.

Entretanto, um amplo grupo de pessoas vem sendo sistematicamente discriminadas no mercado de trabalho sob o silêncio dos pesquisadores e da grande mídia: refiro-me a discriminação sofrida por conservadores e liberais. Tal discriminação é tão pesada que não se restringe ao mercado de trabalho. É comum ouvir o relato de alunos liberais que sofrem verdadeira perseguição nas mãos de professores marxistas, ou de alunos conservadores discriminados por professores progressistas. Qualquer conservador ou liberal formado em história, geografia, sociologia, filosofia, ciências sócias, ou pedagogia sabe do que falo. Em uma série grande de cursos e de universidades liberais e conservadores são discriminados na hora de receberem bolsa de estudo, de serem aceitos para programas de mestrado ou doutorado, ou na hora de receberem indicações para um emprego. Tudo isso por cometerem a "insanidade" de serem de "direita" em cursos dominados por esquerdistas.

Quantos professores já perderam o emprego apenas por manifestarem FORA DE SALA DE AULA que são contra o estatuto do desarmamento? Ou que são contrários ao aborto? Ou defenderem pautas de direita? Quantos jornalistas sofreram o mesmo? E obviamente essa discriminação também tem forte foco entre artistas. Quantos artistas já foram discriminados apenas por serem de direita?

A discriminação sofrida por liberais e conservadores é tão série que envolve inclusive o rompimento de amizades e relacionamentos afetivos, não é novidade ouvir que alguém ficou isolado ou sozinho apenas por ser "de direita". Isso quando não partem para a calúnia e difamação pura e simples de um indivíduo que não compartilha das ideias de esquerda.

Eu já fui discriminado só por ser de direita. O caso mais famoso envolvendo meu nome foi minha exoneração no MEC. Mas existiram outras vezes em que fui igualmente preterido de promoções por cometer o crime de ser "de direita". Tal como eu, vários outros conservadores e liberais sentiram na pele, e no bolso, o custo da discriminação contra nós. Sem sombra de dúvidas, quem mais sofre com esse tipo de discriminação são os negros e homossexuais de direita. Basta um negro ou um homossexual se declarar de direita que passa a ser perseguido nas redes sociais e na sua própria vida e rotina diária. A esquerda simplesmente não aceita alguém das ditas "minorias" se declarar de direita. Sua fúria e ódio contra esses é covarde e ameaçadora.

Temos que falar sobre a perseguição exercida contra pessoas comuns que apenas querem um Estado menor, mais liberdade e, por que não dizer, mais amor. Nós defendemos a vida, a propriedade, e a liberdade. Exatamente por que muitos nos tratam como párias da sociedade? Por que somos tão perseguidos e discriminados?

sábado, 5 de agosto de 2017

Game of Thrones: O Desastre Econômico e a Involução Intelectual e Moral de uma Civilização


"A única condição para o triunfo do mal é que os homens de bem não façam nada". (Edmund Burke).

Tal como milhares de pessoas pelo mundo sou um dos admiradores da série Game of Thrones. A série é um grande sucesso do canal HBO, e retrata a luta pelo unificação do poder entre os 7 reinos.

Um detalhe importante da série, que tem passado despercebido pela esmagadora maioria dos fãs, é que a sociedade onde se passa a saga involuiu ao longo de 1.000 anos. Geralmente tendemos a pensar que daqui a mil anos nossa sociedade estará mais rica e próspera. Imaginamos os avanços tecnológicos, médicos, e um crescente padrão de vida. Ora, olhando mil anos para trás em nossa própria sociedade é fácil ver o quanto evoluímos. Há mil anos o Brasil sequer tinha sido descoberto pelos portugueses, e uma série gigantesca de produtos e facilidades existentes hoje sequer era conhecida, e comparados com padrões atuais até mesmo reis viviam num padrão baixo de qualidade de vida.

Na saga de Game of Thrones são vários os exemplos de estagnação econômica, social, cultural, e intelectual. Por exemplo, as mesmas famílias dominam os mesmos reinos há centenas de anos. A famosa casa "Stark" é a defensora do Norte, e tem permanecido assim ao longo de mil anos. Aliás, a confusão toda da saga começa justamente por causa de um golpe de estado que tirou a casa "Targaryen" do trono de ferro. Mas interessante notar que economicamente não ocorreu evolução ao longo de mil anos, os mesmos castelos ainda são usados, as mesmas armas adotadas por ancestrais distantes continuam a ser empunhadas por seus herdeiros, e parte significativa do conhecimento simplesmente se perdeu.

Num dos episódios uma espécie de monge tenta curar um cavaleiro de uma doença para a qual o presente não tem resposta. Mas, olhando os livros do passado o monge encontra a cura. E o mesmo acontece para uma série outra de problemas para os quais as soluções foram completamente esquecidas, e só podem ser encontradas numa das poucas grandes bibliotecas dos Sete Reinos.

O motivo desse post é nos alertar que o que ocorre em Game of Thrones pode acontecer conosco: sempre é possível que uma sociedade involua, sempre é possível que o futuro da sociedade seja pior do que o presente. Infelizmente, parece que nos esquecemos de uma lição básica e importante: se tomarmos decisões erradas de maneira contínua e por um longo tempo iremos regredir. Isso já ocorreu no passado com a queda do Império Romano do Ocidente, logo após sua queda ocorreu uma deterioração no padrão de vida da sociedade ocidental, deterioração essa que duraria alguns séculos. Mais recentemente a deterioração do padrão de vida ocorre em alguns países africanos e do oriente médio que veem suas sociedades ficarem mais pobres econômica e culturalmente a cada ano. Perto de nós temos o exemplo autoevidente da Venezuela, que sem sombras de dúvida é um país pior hoje do que era há 10 anos.

Lutar por uma sociedade mais livre e justa é a única garantia que temos para evitar a deterioração de nossa sociedade, tal como dizia Ronald Reagan "A liberdade nunca está a mais do que uma geração de sua extinção. Não a transmitimos aos nossos filhos pelo sangue. Devemos lutar por ela, protegê-la, e entregá-la a eles para que façam o mesmo".

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Voto de Bolsonaro e a Opinião de Rodrigo Constantino e Luciano Ayan

Na votação sobre a denúncia contra o presidente Temer o voto de Bolsonaro foi "NÃO" ao relatório (significando que Bolsonaro votou para que o presidente Temer fosse investigado). Muitas pessoas criticaram Bolsonaro por causa de seu voto, alguns argumentaram que ele "caiu na armadilha" do PT, outros que ele foi ingênuo, e outros ainda que ele votou igual aos deputados do PT e do PSOL. Entre as críticas que recebeu duas despertaram bastante atenção: a de Rodrigo Constantino e a de Luciano Ayan. Você pode ler a crítica de Constantino aqui. Os comentários de Ayan estão dentro do post de Constantino.

Discordo tanto de Constantino como de Ayan. Acho que Bolsonaro tomou a decisão correta. Mas, verdade seja dita, é uma decisão difícil. Tão difícil é a decisão que após a votação na Câmara coloquei em meu facebook a oração de São Francisco de Assis: "Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado... Resignação para aceitar o que não pode ser mudado... E sabedoria para distinguir uma coisa da outra". Digo isso, pois realmente os argumentos de Ayan e Constantino são bons. Podemos discordar deles, mas não lhes negar sua validade.

Podemos argumentar também que tanto Constantino como Ayan foram duros com Bolsonaro, mas honestamente os nervos estão a flor da pele. Erros agora podem nos jogar novamente nas mão do PT (ou de suas linhas auxiliares como a REDE). Sendo assim, compreendo completamente a revolta de ambos.

Como eleitor de Bolsonaro vejo que o problema é que nos falta coordenação e, por vezes, sobram desrespeito e ofensas contra pessoas que criticam Bolsonaro. Já disse e repito: não iremos conquistar o apoio de liberais e conservadores os ofendendo. Tanto Constantino como Ayan são líderes de respeito. Ambos tiveram contribuições importantes na luta contra a esquerda, e se posicionaram de maneira corajosa (e heroica) quando o regime petista estava em seu auge. Não se esconderam e deram a cara a tapa. Isso não saiu de graça, ambos pagaram preços elevados por criticarem o regime bolivariano que o PT tentava implantar no Brasil.

A decisão sábia é convencer nossos potenciais aliados com atitudes concretas de apaziguamento, respeito, e compreensão. O Brasil é maior do que desavenças menores que podem ser superadas com conversas e atitudes de respeito.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Por que PT e PSOL declararam apoio a ditadura venezuelana?

Em primeiro lugar quero relembrar alguns fatos sobre Nicolás Maduro:

1) "Eu, sim, tenho mulher, escutaram? Eu gosto de mulheres". Maduro disse isso insinuando que seu adversário nas eleições era homossexual. Desnecessário mencionar o caráter depreciativo desse comentário. Organizações homossexuais protestaram contra o discurso de Maduro.

2) Maduro comanda um regime que prende adversários políticos.

3) Maduro estimula que seus partidários agridam fisicamente seus opositores.

4) Maduro já deu diversas provas de que não respeita a democracia e quer a instalação de uma ditadura na Veneuela.

5) Maduro proibiu manifestações públicas contrárias a seu regime, e ameaçou prender quem se manifestasse nas ruas.

6) Na calada da noite Maduro mandou prender adversários políticos.

7) Maduro deu ordens para o fechamento do Congresso Nacional.

8) A comunidade internacional reagiu ao golpe de Estado de Maduro.

Em vista de tudo isso, resta uma pergunta: por que o PT e o PSOL soltaram declarações de apoio a ditadura de Maduro?

Várias respostas são possíveis, mas todas elas levam a mesma conclusão: PT e PSOL querem para o Brasil o regime ditatorial que Maduro tenta implementar na Venezuela. PT e PSOL apoiam a ditadura de Maduro pura e simplesmente por concordarem com ela, mais do que isso, por quererem implantar no Brasil o que Maduro faz na Venezuela.

Ano que vem teremos eleições, na hora de votar peço que você responda: você quer que o Brasil vire uma Venezuela? PT e PSOL querem, se você quer isso também então basta votar nesses partidos. Agora, se você não quer para o Brasil o que ocorre na Venezuela, então seja consistente e não vote nesses partidos.

Para finalizar, registro minha opinião: o PT e o PSOL se comportam como admiradores de ditaduras de esquerda. Apoiar uma ditadura sanguinária como a Venezuelana só porque ela defende ideias de esquerda é asqueroso. Nenhuma ditadura serve, nenhuma ditadura é boa.


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